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Em condomínio, crianças vendem de tudo para ajudar a pagar cirurgia da amiga

23/02/2017

Alanis tem 12 anos e um sorriso lindo, mesmo em um momento super difícil. Há um ano, ela sofre as dores da escoliose, curvatura severa na coluna vertebral. A família vem batalhando para conseguir bancar a cirurgia que a menina precisa, mas não é fácil. O apoio veio de onde os pais menos esperavam. Crianças do mesmo condomínio de Alanis decidiram bater de porta em porta pedindo dinheiro, na esperança de ajudar a amiga. O gesto emocionou os adultos e agora todo mundo está no mesmo barco.

“Foi nesse período de férias. Aqui no condomínio todo mundo se conhece, eles saíram pedindo dinheiro de casa em casa. Como não estavam conseguindo, pediram aos pais e vieram em casa, fizeram mousse e voltaram para vender para eles, dizendo que era pra ajudar a Alanis. Fizeram com tanto carinho, que até hoje tem pedido de mousse”, conta a mãe Marilza Rodrigues, de 38 anos.

O residencial tem 73 casas e as crianças passaram por todas. Depois do mousse, ainda conseguiram patrocínio para o geladinho. “Uma vizinha entregou um pacote fechado a eles, que venderam em questão de minutos pelo condomínio”, conta a mãe.

Para alguns pais, é na brincadeira que as crianças ensinam feito gente grande. “Fico feliz, porque enquanto tem adulto se xingando por aí, são as crianças que estão se unindo e fazendo a diferença”, comenta Jaciliana Galiciano, de 42 anos.

A acadêmica Flávia Vilela, de 21 anos, até saiu vendendo com os pequenos para ajudar. “No primeiro dia, achei graça e percorri as casas com eles. Depois, eu que virei cliente comprando mousse”, conta.

Além da preocupação com a saúde de Alanis, Flávia acredita que as crianças trouxeram um lição para os moradores. “Isso pode não ter tanta importância para eles agora, mas eles estão aprendendo desde cedo o sentido de ajudar o próximo. Eles não sentem vergonha de pedir ou oferecer ajuda.”

Para Ana Cláudia Acunha, de 28 anos, o gesto emociona quando ela olha para os filhos. “A gente que é mãe fica inspirada, porque é uma coisa que a gente não vê todo dia entre as crianças de hoje. Eu achei sensacional a inciativa de porta em porta. Inspira a gente a mostrar para os filhos o que é importante”.

Inspirador, pela simplicidade da ideia diante da vontade de ajudar, muita gente decidiu entrar nessa corrente do bem e no dia 19 de fevereiro um almoço dançante no bairro Coophasul vai angariar recursos para a operação.

“Eu não tinha muita ideia do que fazer e as algumas mães tem experiência e trabalham em restaurantes, aí tiveram a ideia de fazer um bobó de galinha. Foi tudo colaborativo mesmo, a gente arrecadou muita coisa dentro do condomínio e marcamos o almoço, para ser mais uma forma de arrecadar o dinheiro”, explica Marilza.

Emocionada, a mãe agradece e sonha com a cirurgia que pode transformar a vida de Alanis.

A escoliose foi descoberta há 1 ano, quando a filha ainda não sentia dores. “A gente viu a diferença no corpo dela, percebemos que um lado da costela estava mais alto que o outro. Levei ela ao médico e constatou a escoliose”.

Marilza conta que o primeiro passo foi o tratamento com medicações e fisioterapia, mas o problema acabou se agravando. “De um ano para cá, a coluna dela curvou muito. Os exames mostram um formato de S. Com o tempo, ela passou a sentir muita dor, mesmo com as medicações”, descreve.

O procedimento que deve ser feito com urgência, segundo Marilza, foi orçado em R$ 98 mil pela rede particular. O plano de saúde cobre parte da cirurgia, mas mesmo assim, a família ainda tem que desembolsar R$ 28 mil.

“É um custo alto para uma cirurgia muito delicada. Os médicos dizem que dura de 8 a 12 horas. Ela vai precisar colocar 22 pinos na coluna. E precisamos fazer isso agora, enquanto ela é criança, porque a situação só está se agravando. E pelo SUS a fila de espera é gigantesca”, lamenta.

Entre sessões com médicos e fisioterapeutas, Alanis sonha em poder brincar como qualquer outra criança. “O que me dói é ver ela sonhar e não poder fazer nada. Por conta das dores ela não pode fazer esforço de ficar correndo, pulando e nem brincando de cama elástica. Se já é difícil pra gente ter que impedir, fico imaginando ela tendo que ter paciência”.

Por conta da condição, a menina já enfrentou problemas na escola. “Além da dor, coleguinhas já tiraram sarro por conta do formato da coluna. E isso chateou muito ela e a mim. Ela já chegou a dizer que não queria ir para escola, mas eu converso e explico que é preciso ter paciência. A gente vem enfrentando tudo junto com a família, mas o que eu mais quero é ver ela realizando os sonhos”.

Surpresa com a ideia das crianças, Alanis agradece e fala da esperança em não sentir mais dores. “Vai ser muito importante, não consigo fazer nada e sinto dor sempre na hora de deitar”, descreve.

Fonte: http://www.campograndenews.com.br

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