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O fenômeno dos condomínios horizontais

14/09/2017

É muito interessante a história sobre como as cidades de formam. Grande parte delas surgiu da importância de um lugar específico. Uma beira de rio, uma confluência de trilhas.

Um ponto importante onde alguém instalou um mercadinho, depois surgiu uma igreja e um punhado de casas. De maneira orgânica e crescimento desordenado, as cidades surgem e se desenvolvem tendo um roteiro que pouco varia.

O centro representando literalmente o local onde tudo acontece. Bairros nobres e outros nem tanto surgem orbitando no centro e em volta deles uma periferia se forma povoada pelos menos abastados.

A ineficiência do Estado em prover as necessidades da população cria problemas como a violência, o congestionamento, poluição e tantos outros.

Mas tudo se transforma no mundo. E no Brasil com o boom econômico dos últimos anos, novos padrões e tendências têm surgido e começaram a reconfigurar o tecido urbano. Tenho reparado como os condomínios horizontais tem se espalhado e são uma resposta positiva para enfrentar a escala da violência que temos vivido nas grandes cidades.

Cada vez mais é visível o êxodo dos moradores de bairros tradicionalmente nobres para essas novas opções. Assim, bairros como o Santa Rosa e o Jardim Cuiabá estão migrando de um contexto residencial para comercial, com casarões se transformando em clínicas médicas e sedes de empresas. Esses moradores com certeza estão migrando para apartamentos e, nos últimos anos, para casas em condomínios fechados.

Há condomínios hoje para todo perfil de morador. Desde os que optam por um programa subsidiado do Governo Federal até os mais abastados. Oferecem facilidades como restrição de trânsito, guaritas, áreas sociais e esportivas comuns e um certo ar de saudosismo.

Para mim o grande trunfo dos condomínios é oportunizar as crianças de hoje a vivência urbana de 20 anos ou 30 anos atrás, ou até mais. Naquele tempo era comum brincar na rua e se deslocar livremente pelo bairro. Hoje é bem difícil os pais se sentirem à vontade para permitir que uma criança se quer dê uma volta de bicicleta pelo quarteirão.

É claro que num mundo ideal a ideia de um bairro com muros destoa um pouco. Mas na configuração atual da sociedade com todos os fenômenos que ela reproduz eu acredito que essas “ilhas” são um porto seguro. Local onde ainda é possível ter qualidade de vida em meio ao caos provocado pela urbe. 

Autora: Maria Rita Ferreira Uemura é jornalista, empresária, diretora da empresa de eventos de aventura ULTRAMACHO e escreve exclusivamente toda quinta-feira neste Blog (www.ULTRAMACHO.com.br) – e-mail: ferreirauemura@gmail.com

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