Praia Grande13 3473.4284    Mongaguá13 3507.7944 São Paulo 11 2276.8588 / 11 2594.9444

Triplex do Guarujá

24/07/2017

Moradores acreditam que prédio ficará estigmatizado

Na mira dos investigadores da Operação Lava-Jato há pelo menos sete anos, o Condomínio Solaris continua sendo um “ponto turístico” do Guarujá, litoral de São Paulo, afirma o oftalmologista Paulo de Távora, síndico do edifício há seis meses. Mesmo após a condenação em primeira instância de Lula, nesta quarta-feira, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex que fica no prédio, o morador acha que o local ficará sempre estigmatizado.

– Ele ficou conhecido como “prédio do Lula”. E eu já uso a referência. Quando peço uma pizza e perguntam o endereço, por exemplo, eu digo que moro no prédio do Lula – diz o síndico, acrescentando que ele espera que o ex-presidente seja preso.

Távora é uma das poucas pessoas a, de fato, morar no edifício residencial – tido como endereço de veraneio para a maioria dos proprietários. Ele se mudou há um ano e oito meses. De acordo com o síndico, “depois das investigações, o preço dos apartamentos duplicou”. Ele conta que, de um total de 112 imóveis, pelo menos cem são mantidos apenas para locação em temporadas.

– A torre da frente é só para os ex-políticos. Já ouvi muita história. Se investigar, tem muitos “laranjas” ali – afirma Távora, que mora no bloco dos fundos.

Outro proprietário, o aposentado José Carlos Caurim mantém um apartamento para locação no 11º andar do Solaris, de frente para a praia (das Astúrias), comprado na planta em 2003. Apesar de frequentar pouco o imóvel, ele não se conforma com a imagem que o edifício ganhou nos últimos anos.

– Quando ouço provocações, digo “prédio do Lula é o escambau”. Como condômino, queria que esse negócio acabasse o quanto antes, que os moradores tivessem sossego. O assédio diminuiu, mas ainda há pessoas que passam na frente do prédio tirando fotos; algumas até xingam os moradores. O nome do Lula tem que ser disassociado do condomínio. O edifício não é dele – declarou Caurim, que espera poder usufruir de seu apartamento com a família nesta temporada mais fria, quando não tem inquilinos.

O também proprietário Rovilson Dias já não se incomoda com a chacota, apesar de acreditar que é um caso sem volta.

– A fama do prédio, que veio com as investigações sobre o Lula, parece que vai ficar para o resto da vida. Mas não me incomoda, não. Comprei o apartamento logo quando foi lançado, estou pagando corretamente, e de vez em quando vou até lá com a minha família. Não vejo mais bagunça na portaria – disse.

Em temporadas mais baixas, o aposentado aluga o imóvel por diárias entre R$ 300 e R$ 400, conforme o padrão da região, segundo ele.

Entre uma e outra divergência, os três são unânimes ao dizer que não consideram o Condomínio Solaris um prédio de luxo. Para Dias, “luxuosa é a região onde o prédio se encontra, que é muito badalada”, porque o empreendimento em si, antes de a OAS assumir a construção, “veio de uma cooperativa de bancários”. Caurim destaca que o edifício “tem um monte de problemas com infiltrações”. E Távora revelou que, por medida de contenção de gastos, o Solaris não tem mais zelador; o serviço foi terceirizado.

No ano passado, após quase três anos de serviços prestados, José Afonso Pinheiro, então zelador do edifício, foi demitido, segundo ele, por ter dado um depoimento ao Ministério Público (MP) no qual relatava visitas do ex-presidente e de sua mulher, Marisa Letícia, ao imóvel. Depois dele, uma mulher chegou a assumir a função por um tempo.

Autora: Jéssica Lauritzen
Fonte: https://extra.globo.com

ARTIGOS RELACIONADOS

Tudo sobre vida em condomínio

Saiba mais...

Pintura de fachada de condomínio

Saiba mais...

Insalubridade, PPRA e PCMSO

Saiba mais...